sexta-feira, 31 de agosto de 2007

3G - Mais veloz, mais poderoso e mais caro

As operadoras brasileiras se apressam para lançar celulares de terceira geração - que vêm causando uma revolução no exterior


Celular no Japão: também serve como tíquete do metrô

Por Melina Costa
EXAME

A história da telefonia celular no Brasil pode ser contada a partir de dois momentos principais. O primeiro aconteceu em 1990, quando foi lançado o primeiro aparelho móvel do país, um trambolho de quase meio quilo. O serviço era tão caro que o celular naquela época era "coisa de rico". O segundo momento, em 1998, marcou o início da popularização do celular. Foi quando as operadoras apostaram nos pré-pagos, hoje responsáveis por mais de 80% dos aparelhos em uso no país. Está em curso, agora, a construção do terceiro divisor de águas do setor. Até o final do ano, pelo menos duas operadoras, Telemig e Claro, devem lançar aparelhos da terceira geração de celulares (3G). As demais esperam seguir o mesmo caminho em 2008. Com essa tecnologia, os celulares funcionam como um computador conectado à internet em banda larga -- o que abre caminho para uma gama diversa de aplicações para o celular. É possível assistir à televisão no telefone e transmitir vídeos. No Japão, os consumidores usam o celular até como substituto para o tíquete do metrô.

O público cobiçado pelas operadoras restringe-se a 5% dos usuários de celular do país, algo em torno de 5 milhões de consumidores. Parece pouco diante dos investimentos necessários para implementar a tecnologia -- oferecer os serviços em todo o país custaria 2 bilhões de reais por operadora. Mas a explicação está nos hábitos de consumo desses usuários, os mais endinheirados do país. Sozinhos, eles são responsáveis por, no mínimo, 20% do faturamento das operadoras e estariam dispostos a gastar de 20 a 30 reais por mês em serviços 3G. Como esse universo é pequeno, as operadoras iniciaram uma corrida contra o tempo para lançar os novos aparelhos o quanto antes. "Quem oferecer o serviço primeiro espera ficar com os principais clientes do concorrente", diz Erasmo Rojas, diretor da 3G Americas, entidade criada para disseminar a tecnologia no continente. A Telemig investiu cerca de 260 milhões de reais em sua nova rede, que deverá entrar em operação em dezembro. A operadora vai aten der uma área de míseros 30 quilômetros quadrados da região de Belo Horizonte, mas o anúncio foi suficiente para causar frisson entre os rivais. A Claro prepara-se para lançar sua rede 3G até o final do ano. Segundo executivos do setor consultados por EXAME, a empresa já está em fase de testes de equipamentos. A TIM também está em negociação com fornecedores de infra-estrutura para 3G. Claro e TIM não confirmam as informações.

A vida com 3G
O que vai mudar nos celulares brasileiros com a nova tecnologia
Internet rápida
Com o 3G, será possível acessar a internet com velocidade dez vezes superior à maioria dos celulares de hoje
Transmissão de vídeos
A tecnologia permitirá a troca de imagens em tempo real.As pessoas vão se ver durante as conversas e mostrar objetos ou lugares para o interlocutor
Mais serviços
Pelo celular, o usuário poderá, ao melhor estilo Big Brother, captar imagens da própria casa.Basta instalar câmeras compatíveis com o 3G


Mais que uma renda extra, esse novo filão pode significar a manutenção da saúde das operadoras. No mundo todo, o celular que serve apenas como telefone é cada vez menos lucrativo. No Brasil, a receita média por usuário das operadoras --uma das menores do mundo -- caiu 10% nos últimos cinco anos. Nesse cenário, a terceira geração aparece como alternativa para impulsionar a expansão das empresas. Nos mercados em que a tecnologia 3G já está madura, o ritmo de crescimento da receita com a transmissão de dados é impressionante -- nos Estados Unidos, dobrou nos últimos dois anos. Esse tipo de serviço é responsável por 32% da receita da operadora japonesa NTT DoCoMo e por 19% do faturamento da Vodafone européia. No Brasil, em média, essa porcentagem não passa de 7%.

COM A ENTRADA EM MASSA das operadoras no segmento 3G, os especialistas esperam que a tecnologia finalmente emplaque no Brasil. A Vivo, maior operadora do país, foi pioneira: oferece há três anos um sistema conhecido pela sigla EVDO, que também tem velocidade de banda larga, e clientes de 28 cidades podem acessá-lo. Segundo analistas, porém, os altos preços dos serviços impediram que o sistema se disseminasse (cada música baixada no celular custa mais de 4 reais, preço considerado proibitivo). Nos últimos anos, a tecnologia EVDO foi ultrapassada por outra, a WCDMA, adotada em praticamente todos os países desenvolvidos. Como acontece com qualquer tecnologia, a chave para sua popularização é a escala de produção, que baixa os custos e, conseqüentemente, os preços. É o que vem acontecendo no mundo inteiro com o sistema WCDMA -- justamente o sistema que será adotado pelas operadoras brasileiras. "Com a nova tecnologia e o maior número de concorrentes, os preços vão cair e beneficiar o consumidor", diz o consultor Luiz Minoru, diretor do Yankee Group.

As operadoras brasileiras e o governo discutem a entrada na terceira geração desde a década de 90. As conversas ocorreram num ritmo tão moroso que o edital para o uso de uma faixa de freqüência específica para a terceira geração só vai sair no final do ano. Demoraria, portanto, até 2008 para que a nova tecnologia ficasse disponível. A experiência do mercado americano, porém, encurtou esse prazo. Lá, a opção de algumas operadoras foi adotar a faixa de freqüência de 850 MHz para a terceira geração. E essa era a mesma freqüência usada no Brasil pelas empresas que operavam no antigo sistema TDMA. Como essa tecnologia evoluiu para o GSM, algumas operadoras ficaram com a faixa sobrando. A decisão das operadoras americanas conferiu escala à operação em 850 MHz e deu segurança para que as brasileiras seguissem o mesmo caminho. Esse atalho beneficia em cheio a Claro. A empresa possui a faixa de 850 MHz livre em 21 estados. A TIM conta com uma distribuição mais modesta. São 11 estados, a maioria deles na Região Nordeste. A Brasil Telecom e a Oi não possuem a freqüência, pois nunca operaram com tecnologia TDMA. Já a Vivo opera nessa faixa, mas não pode utilizá-la para a terceira geração: a freqüência está ocupada com sua recém-lançada rede GSM. Diante disso, estima-se que todas as operadoras participem do leilão do final do ano. "Todas terão de adotar a nova tecnologia", diz André Mastrobuono, presidente da Telemig. "É um caminho sem volta." O consumidor espera que, desta vez, seja para valer.

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4 comentários:

Adilson Teixeira da Silva disse...

Vamos aguardar. Até que enfim teremos como assistir vídeos YouTube pelo celular.

Robo disse...

nossa mas que foda.
mas será que no brasil vai ter mercado , com isso quero dizer, as pessoas poderam pagar por este tipo de tecnologia.
mas que ficou massa ficou.

Socorro disse...

Pois é, ainda bem que a tecnologia já chegou por aqui pelo Nordeste. Expressei bem a minha felicidade no meu blog, no post http://www.digitalbits.com.br/?p=196. Mas ainda não conheço ninguém que tenha usufruido...

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado